segunda-feira, 29 de maio de 2017

Usuários são assaltados todos os dias nos terminais T3 e T4

27/05/2017 - A Crítica

Trabalhadores e usuários do sistema de transporte público relatam insegurança dentro dos terminais e dos coletivos

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Bandidos esperam a polícia sair para atacar os usuários e os coletivos. Foto: Aguilar Abecassis

Lídia Ferreira
Manaus (AM)

“Assalto e roubo aqui? É todo dia!”, declara a vendedora ambulante Alexandra Rodrigues, 23, do Terminal de Ônibus 4 (T4), localizado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. Entre os usuários do Terminal de Integração 3 (T3), no bairro Cidade Nova, Zona Norte, a situação relatada é a mesma entre usuários e trabalhadores.

No T4, nos chamados “horários de pico”, período com o maior fluxo de pessoas, entre 5h e 8h, e entre 17h e 18h30, são quando há mais relatos desses crimes. Os alvos são principalmente celulares e bolsas. “Existem dois tipos de bandidos, o moleques que pulam o muram e roubam as pessoas distraídas, que estão se apertando para entrar no ônibus e se descuidam das suas coisas; o outro é de assaltantes que chegam com faca e armas”, relata Alexandra Rodrigues.

Há um mês, Karina Silva,26, ex-vendedora ambulante do local, estava atendendo um cliente quando foi abordada com uma arma na cabeça, por volta das 17h. Um homem com uma pistola levou o valor de toda a renda dela, celulares e a bolsa e fez um “arrastão” entre os usuários próximos ao ponto onde ela vendia seus produtos. “Eu fiquei apavorada e desisti desse trabalho. Não consegui voltar pra trabalhar. Já virou rotina acontecer assalto por aqui”, relatou. Outro ambulante, Caio Mendes,19, destaca que há policiamento no local, mas em horários esporádicos. “Os bandidos ficam monitorando e quando os policiais terminam as rondas, eles atacam. Domingo é o pior dia, há pouca ronda e eles aproveitam”, disse.

No último domingo, a cabine onde motoristas e cobradores ficam para aguardar o horário da saída dos coletivos foi assaltada, por volta das 21h. Um homem armado pulou o muro para acessar o terminal, rendeu seis pessoas e levou celulares, dinheiro e até jóias e bijuteria dos profissionais. “Eles estão roubando tudo, até sapato, chinela, tudo. Toda semana tem algum assalto aqui, com arma de fogo ou faca. Fora os roubos. A gente vem trabalhar com medo de perder a vida”, diz um motorista que não quis se identificar. “Ele colocou a arma na minha cabeça. Todo mundo aqui ficou apavorado”, contou uma cobradora. 

A estudante Rafaela Guimarães, 23, moradora do bairro São José, já foi assaltada no T4 quatro vezes, somente este ano. “Eu nem uso mais celular porque é prejuízo. E sempre deixo um trocado porque se você não tem nada, eles ainda te agridem. Só venho para cá pegar ônibus porque é realmente necessidade”, disse. A reportagem tentou contato com a Polícia Militar, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

Arrastões nos coletivos

Outra estratégia usada pelos ladrões é entrar no ônibus para realizar arrastões. Duas linhas, a 088 e 072, foram assaltadas dessa forma há duas semanas, segundo relato dos profissionais. “Eles esperam um lugar próximo de onde vão descer e anunciam o assalto. Quando a gente vê  pessoas mal encaradas nas paradas, a gente nem para. Não é preconceito, mas é uma forma de se proteger e proteger os passageiros”, disse um motorista.

“Pior que sai do nosso bolso. A gente tem que pagar esse prejuízo porque as empresas não querem nem saber. Se as câmeras não filmarem direito, a gente é quem paga. É um abuso com a gente tudo isso”, relatou outra cobradora. 

Em números: 1.120  é o número de assaltos a ônibus coletivos registrados pelo Sinetram entre janeiro e abril deste ano. Em todo o ano de  2016, segundo a entidade, foram 3.389 roubos registrados.

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